Dor de cabeça frequente, enxaqueca com aura, cefaleia que não responde a analgésicos ou que piora com o tempo — cada uma dessas situações tem causa e tratamento específicos. Minha abordagem começa pelo diagnóstico correto do tipo de cefaleia, para então definir um plano terapêutico que vai além de apenas controlar a dor aguda.
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Cefaleia é o termo médico para dor de cabeça. É uma das queixas mais frequentes no consultório neurológico — e também uma das mais subestimadas. Existem mais de 200 tipos catalogados pela Classificação Internacional das Cefaleias, mas a grande maioria dos pacientes convive com enxaqueca (migrânea) ou cefaleia tensional.
A distinção é importante porque cada tipo de cefaleia tem mecanismo, gatilhos e tratamento diferentes. O diagnóstico é fundamentalmente clínico — baseado no padrão da dor, na frequência, nos sintomas associados e no exame neurológico. Exames de imagem são reservados para situações específicas, quando há sinais de alerta.
A enxaqueca é mais do que "uma dor de cabeça forte". Trata-se de uma condição neurológica com base genética, caracterizada por crises recorrentes que podem durar de 4 a 72 horas. A dor costuma ser pulsátil, unilateral (embora possa ser bilateral), de intensidade moderada a forte, e piora com atividade física rotineira.
Além da dor, a enxaqueca frequentemente vem acompanhada de náusea, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia). Em cerca de 25 a 30% dos pacientes, ocorre a chamada aura — alterações visuais (pontos luminosos, linhas em zigue-zague), formigamentos ou dificuldade para falar que precedem ou acompanham a dor.
Quando a enxaqueca ocorre em 15 ou mais dias por mês, por pelo menos 3 meses, com características de enxaqueca em pelo menos 8 desses dias, classificamos como enxaqueca crônica. É uma forma especialmente incapacitante que exige tratamento preventivo estruturado — e que frequentemente está associada ao uso excessivo de analgésicos.
Você sabia? A enxaqueca é a segunda causa de incapacidade no mundo segundo a OMS, e a primeira entre mulheres jovens. Apesar disso, a maioria dos pacientes nunca recebeu tratamento preventivo adequado.
Dor bilateral, em pressão ou aperto, de intensidade leve a moderada. Geralmente não piora com atividade física e não vem acompanhada de náusea significativa. Quando frequente, também pode se beneficiar de tratamento preventivo.
Uma das causas mais comuns de dor de cabeça diária. O uso frequente de analgésicos (mais de 10 a 15 dias por mês) perpetua o ciclo de dor. A retirada orientada é parte essencial do tratamento — e precisa de acompanhamento médico.
Dor excruciante, unilateral, periorbital, com duração de 15 a 180 minutos. Vem acompanhada de lacrimejamento, congestão nasal e agitação. Menos frequente que a enxaqueca, mas considerada uma das dores mais intensas que existem.
São causadas por outra condição — infecção, alteração vascular, problema estrutural, medicações, entre outros. A investigação com exames complementares é indicada quando há sinais de alerta ou quando o padrão não corresponde a uma cefaleia primária.
Dor de cabeça súbita e muito intensa ("a pior da vida"), acompanhada de rigidez no pescoço, febre, confusão, convulsão ou fraqueza, exige atendimento de emergência imediato.
O diagnóstico das cefaleias primárias (enxaqueca, tensional, em salvas) é clínico. Não existe exame que "confirme" enxaqueca — o que existe é uma avaliação estruturada da história, dos padrões de dor, dos sintomas associados e do exame neurológico. Um diário de cefaleia (anotando frequência, intensidade, duração e uso de medicações) é uma ferramenta valiosa para o acompanhamento.
Exames complementares — como ressonância magnética de crânio — são indicados quando existem sinais de alerta (red flags) ou quando o quadro clínico não se encaixa nos critérios de cefaleia primária. Solicitar exames com critério evita investigações desnecessárias e custos para o paciente.
O tratamento da cefaleia é dividido em dois pilares: o manejo da crise aguda (abortivo) e a prevenção de novas crises (profilático). Muitos pacientes só conhecem o primeiro — e é justamente a ausência de tratamento preventivo que mantém o ciclo de dor.
Anti-inflamatórios, triptanos e, em situações selecionadas, outras medicações específicas. O uso deve ser orientado por tipo de cefaleia e frequência — uso excessivo de abortivos (mais de 10-15 dias/mês) pode causar cefaleia rebote.
Indicado quando as crises são frequentes (acima de 2 dias/mês) ou incapacitantes. Opções incluem betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes e, para enxaqueca crônica refratária, anticorpos monoclonais anti-CGRP — uma classe recente com boa eficácia e perfil de efeitos favorável.
Quando há cefaleia por uso excessivo de medicação, a retirada orientada é parte essencial — e às vezes a mais importante — do plano. Não se faz sozinho: o acompanhamento médico garante suporte durante o período de transição.
O objetivo do tratamento preventivo não é eliminar toda dor de cabeça — é reduzir frequência, intensidade e impacto das crises, devolvendo qualidade de vida. A maioria dos pacientes com enxaqueca pode alcançar controle significativo com o plano adequado.
Sou o Dr. Igor Campana (CRM-SP 186.186 | RQE 94.974), neurologista com formação no HC FMUSP. Cefaleia e enxaqueca são queixas centrais no dia a dia do consultório — e merecem o mesmo rigor diagnóstico que qualquer outra condição neurológica. Minha abordagem é definir o tipo exato de cefaleia, identificar fatores perpetuadores e construir um plano que vá além do analgésico.
Atualizado em: 04/03/2026 • Revisão médica: Dr. Igor Campana
Conteúdo com finalidade informativa. Não substitui consulta médica. Em caso de dor de cabeça súbita e intensa, procure atendimento de emergência imediato.
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